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Qual o limite do artista?

24 de set.
2 min de leitura

Vejam só, toda minha carreira de quadrinista eu fui cobrado pra assumir uma caixinha.


"Ah, você é nordestino, porque suas histórias não se passam no Nordeste? Ah, você é preto, por que que você não escreve sobre ancestralidade africana, ou afro-futurismo?"


A resposta na verdade é bem simples. Porque eu não quero!


Não é porque você é um artista preto, ou nordestino, ou indígena, ou LGBTQIAPN+ que você é obrigado a se limitar a essas temáticas. Existem muitos artistas que fazem isso muito bem e com muita propriedade, mas o ponto é que eles escolheram falar sobre isso. O autor precisa se sentir atraído e principalmente interessado em escrever sobre determinado tema.


"Ah, mas você tem que escrever sobre o Nordeste, porque é a terra que você conhece e aí vai falar com propriedade." Errado!


Esse é um pensamento extremamente limitador. Você pode escrever sobre qualquer coisa que você quiser! Desde que haja uma pesquisa profunda pra não desrespeitar determinado grupo ou colocar uma linguagem de comportamento equivocada em determinado povo de determinada região.


Sobre qualquer lugar que eu for escrever fora do meu bairro, eu vou ter que fazer uma pesquisa imensa para conhecer os detalhes da vida naquele lugar, de como as pessoas se comportam, quais são seus prazeres e preocupações. Como elas se vestem, o que elas comem, como elas falam.


A mesma pesquisa que eu fiz para escrever a minha HQ CORAZÓN, que se passa no México, eu teria que fazer se eu fosse escrever uma história que se passa no Maranhão ou em São Paulo. Então temos que limitar a nossa criatividade apenas a nossa bolhinha de vida? Eu acho que não. E você o que é que acha?


Vamos conversar mais sobre isso aqui nos comentários. E nos vemos na próxima página.

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